Desde que o trailer surgiu na internet tenho esse mon\u00f3logo interno, tentando em v\u00e3o entender como que um filme como Perdido pra Cachorro\u00a0ganhou a\u00a0green light\u00a0para entrar em produ\u00e7\u00e3o. Imagino a sala cheia de produtores, agentes e algu\u00e9m do alto de sua psicodelia dizendo:\u00a0\u201ce se fiz\u00e9ssemos um filme cheio de chiuhuahuas falantes?\u201d\u00a0A atitude certa seria ignorar e voltar a ideias originais, mas como isso \u00e9\u00a0Hollyweird, os aplausos ecoaram pela sala.\u00a0Foi assim, com essa vis\u00e3o, que me vi numa sexta-feira \u00e0 noite, em casa, depois de uma semana corrida e estressante, procurando por um filme leve que me fizesse esquecer da vida por umas duas horas. Online, qualidade de dvd, play. Queria voltar no tempo, pois foram as duas horas mais in\u00fateis da minha vida, e n\u00e3o no bom sentido. Passado 5 minutos do \u201cfilme\u201d, me encontrava calculando quanto tempo a mais de morte lenta eu teria pela frente.
Entendo muito bem que\u00a0Perdido pra Cachorro\u00a0foi voltado ao p\u00fablico infantil, mas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o pensar em tantos filmes do g\u00eanero que conseguiram de uma maneira bem mais inteligente envolver junto o p\u00fablico adulto. Sendo uma produ\u00e7\u00e3o dos est\u00fadios Disney, me deu uma tristeza imensur\u00e1vel ver que esse \u00e9 o rumo de uma entidade que nos deu tantos cl\u00e1ssicos. At\u00e9 hoje amo os desenhos feitos pela casa do Mickey Mouse, onde, sim, os animais falavam, mas tinham tamb\u00e9m uma alma muito mais cativante e um humor mil vezes mais agu\u00e7ado. Eram sutis, carism\u00e1ticos e inesquec\u00edveis. Ou seja, tudo que esses cachorros rid\u00edculos n\u00e3o s\u00e3o. E, sim, deixemos claro que AMO cachorros. J\u00e1 tive mais de dez ao longo dos anos, e sempre imaginei o quanto suas personalidades precisavam um dia tomar forma em um filme, ou num livro, mas infelizmente o longa achou os cachorros nas prateleiras dos estere\u00f3tipos por varejo.
Tudo \u00e9 med\u00edocre. Nada ou ningu\u00e9m se salva. \u00c9 deprimente ver Jamie Lee Curtis envolvida num projeto desses. N\u00e3o que sua carreira tenha um caminho diferente a seguir, afinal ela virou a m\u00e3e oficial dos filmes da Disney, a \u00fanica diferen\u00e7a sendo que antes ela n\u00e3o era m\u00e3e de uma cadela, e sim da Lindsay Lohan. E n\u00e3o, n\u00e3o vou entrar no m\u00e9rito de que talvez n\u00e3o exista tanta diferen\u00e7a no final. Mas vamos tentar, mesmo que em v\u00e3o falar do filme.
Chloe, dublada por Drew Barrymore, \u00e9 a vers\u00e3o canina de Elle Woods, do Legalmente Loira (2001). Sua dona, Vivian (Jamie Lee Curtis) \u00e9 a perfeita madame Rodeo Drive, e ama sua cadelinha como uma filha. Ela precisa fazer uma viagem a trabalho, e sem querer desgastar Chloe, acaba por deix\u00e1-la com sua sobrinha Rachel (Piper Perabo). Rachel nao se conforma com a maneira que Chloe \u00e9 tratada, e surgindo uma oportunidade de ir ao M\u00e9xico com suas amigas, n\u00e3o pensa duas vezes e traz a diva a tiracolo. Chloe como boa mimada, se rebela e foge do quarto do hotel, e acaba sendo sequestrada por mexicanos malvados que a querem como parte de uma luta underground de cachorros. L\u00e1 conhece Delgado (dublado por Andy Garcia), esse pastor alem\u00e3o meio mal humorado, que n\u00e3o quer se envolver, mas acaba se tornando o grande companheiro de aventuras da pequena. Pelo resto do filme n\u00f3s somos intercalados entre a rela\u00e7\u00e3o dos caninos e dos seres humanos. Chloe e Delgado tentando voltar a Beverly Hills e Rachel e o jardineiro da casa tentando em v\u00e3o achar a cadelinha antes de sua tia.
O filme poderia ter se salvo, ou pelo menos tentado, mas foi tudo f\u00fatil e pat\u00e9tico. Diferente de tantos filmes de cachorros antigos, \u00e0 la\u00a0Lassie\u00a0(1943) e Benji\u00a0(1974), Perdido pra Cachorro n\u00e3o tem nenhum sentimento inteiro. Chloe, nossa hero\u00edna, n\u00e3o demonstra ter um amor t\u0